Tudo me parecia cinza, esparso e também estranho. E o mesmo acontecia com os dias, com as músicas, com a sua face iluminada em um filme noir clássico e impecável. Também as estrelas, o céu sufocante e infinito, o amor que nos aprisiona debaixo das principais constelações, anjos e Beethoven à parte.
Eu via tudo isso e tudo isso me parecia cinza, eu pensava, isso também está dentro de mim, enquanto eu caminho soturno pelos bares e avenidas, respiro, transbordo cambaleante pela superficialidade das coisas.

terça-feira, novembro 22

E foi naquela tarde, que você cruzou à esquina da saudade, sem nenhum medo ou receio de me perder, que eu senti que procurei pertencer a todos os lugares errados.

Justo eu que acompanho os astros, que adivinho pensamentos e futuros, não percebi que o que eu procurava era teu colo. 

Londres era pequena demais para o tamanho do meu amor.

Minha casa era você.

3 comentários:

  1. Quando imergimos no outro, sentimos o sufocar estar presente, quando tememos que o último suspiro seja insignificante... Percebemos que é amor.
    Mas dói tanto, bebe. Não sei se isso é pra mim.

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  2. Adorei tudo que li aqui, quanto encanto!

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